Planilha ou sistema no financeiro do cartório: como decidir
Responsável editorialBruno Krohnfundador da Acta Control, professor na ENNOR e certificação CEA-ANBIMA
Planilha serve enquanto o financeiro do cartório é pequeno e alguém a mantém em dia; passa a faltar quando o fechamento do mês depende de digitar e reconferir tudo. Aí vale avaliar uma plataforma de gestão financeira para cartório, que lê o extrato e os atos, escritura o Livro Caixa em regime de caixa e dá ao contador acesso próprio. A decisão se toma com um teste de um mês, descrito abaixo.
O que uma plataforma tem que ter
- Importação do extrato e dos atos: o extrato bancário e o arquivo de atos da serventia são lidos, não digitados.
- Livro Caixa em regime de caixa: receita pelo que entrou e despesa pelo que foi pago no mês, com a base legal de cada categoria. Veja o Livro Caixa do cartório e a calculadora do carnê-leão do cartório.
- Acesso do contador: ele consulta e confere os lançamentos sem receber planilha por e-mail.
A planilha atende bem quando o cartório tem poucas contas e poucas despesas por mês, e quando alguém a mantém atualizada com disciplina. Ela deixa de atender quando você gasta mais tempo alimentando e conferindo do que usando os números, ou quando não consegue mais responder com segurança a três perguntas:
- quanto sobrou de verdade no mês;
- se a despesa é dedutível e por quê;
- se o caixa aguenta os próximos pagamentos.
A decisão não é sobre tecnologia. É sobre quanto custa, em tempo e em risco, manter a informação confiável.
Quando a planilha é suficiente?
A planilha é uma boa ferramenta. Ela costuma bastar quando:
- há uma conta bancária e poucas dezenas de despesas por mês;
- a mesma pessoa lança, confere e conhece cada linha;
- o contador recebe a planilha e não precisa refazer a classificação;
- você não precisa projetar o caixa além do mês corrente.
Nesse cenário, trocar por um sistema pode trazer mais trabalho de implantação do que benefício. Uma planilha bem estruturada, com uma aba de lançamentos e uma de resumo, resolve.
Quais são os sinais de que ela deixou de atender?
Repare se algum destes já acontece:
- A conferência não fecha. O saldo da planilha não bate com o extrato e ninguém sabe onde está a diferença.
- Repasse e despesa se misturam. O fundo incluído no emolumento, que é despesa no mês em que é pago, fica confundido com o valor de terceiro cobrado por fora, que não é receita nem despesa; transferências entre contas e retiradas do titular aparecem como despesa, ou o contrário. Isso distorce o resultado e a base do imposto: veja quanto sobra de verdade no fim do mês.
- A base legal está na cabeça de alguém. A planilha diz quanto foi gasto, mas não diz por que a despesa é dedutível. Na fiscalização, essa resposta precisa existir para cada categoria (Lei 8.134/1990, art. 6º).
- O contador refaz o trabalho. Ele recebe a planilha e reclassifica tudo antes do livro-caixa.
- Só uma pessoa entende o arquivo. Se ela sai de férias, o controle para.
- Você descobre o aperto de caixa tarde. O 13º, uma parcela ou um imposto aparecem como surpresa. O raciocínio está em fluxo de caixa para cartórios.
- Versões se multiplicam. "Financeirofinalv3_corrigido" circula por e-mail e ninguém sabe qual vale.
Um sinal isolado pode ser resolvido melhorando a planilha. Vários juntos indicam que o custo de manter a planilha confiável já passou do razoável.
Dá para melhorar a planilha antes de trocar?
Sim, e vale tentar:
- Separe uma aba só para o que não é despesa: valores de terceiros cobrados por fora, transferências entre contas e retiradas do titular. O fundo incluído no emolumento fica na aba de despesas, no mês em que é pago (Manual de Orientação Tributária de Cartórios da Receita Federal, pp. 44-45 e 99).
- Crie uma coluna de categoria e outra de base legal, preenchidas no momento do lançamento.
- Feche o mês conferindo o saldo final com o extrato.
- Combine com o contador o formato que ele precisa receber.
Se, mesmo assim, o fechamento continuar consumindo dias ou dependendo de uma pessoa só, é hora de avaliar um sistema.
O que muda quando se usa um sistema?
Um sistema bem escolhido não muda as regras. Muda o trabalho:
- Importação: o extrato e o arquivo de atos são lidos em vez de digitados.
- Classificação: fica registrada com o motivo.
- Escrituração: os livros saem dos mesmos lançamentos.
- Acesso: o contador entra com acesso próprio.
O que continua igual: alguém precisa conferir o que entra. Sistema que promete fazer tudo sozinho, sem conferência, merece desconfiança. Para comparar opções, use o checklist do que avaliar num sistema financeiro para cartório.
Como decidir na prática?
Faça um teste de um mês:
- Escolha um mês já fechado.
- Anote quanto tempo levou para lançar, conferir e entregar ao contador.
- Anote quantas correções o contador fez.
- Compare com o mesmo mês num sistema, usando os mesmos arquivos.
Leve os números ao seu contador e decidam juntos. O resultado do teste vale mais do que qualquer opinião, inclusive a deste texto.
Onde a Acta Control entra
A Acta Control foi pensada para quem chegou aos sinais acima:
- Importação: lê o extrato OFX do banco e o arquivo de atos da serventia.
- Repasses e saídas que não são despesa: o fundo pago entra como despesa no mês do pagamento; o valor de terceiro cobrado por fora, a transferência entre contas e a retirada do titular ficam separados da despesa.
- Base legal: cada categoria leva a base legal, que segue para o contador numa planilha conferível.
- Projeção: o caixa dos próximos meses aparece com as contas a pagar cadastradas.
O sistema não tem versão gratuita nem período de teste, e o preço é definido pelo porte da serventia. Se a serventia tem volume alto, histórico a recuperar ou contabilidade terceirizada, existe a implantação assistida: a Acta configura a serventia e conduz o primeiro mês até o fechamento. A solicitação é feita pelo formulário de implantação assistida, seguida de uma reunião de diagnóstico, sem compromisso, e a resposta sai em até 2 dias úteis. Se o teste de um mês indicar que vale a mudança, você pode Criar conta e começar pelo mês que usou na comparação.
Guia relacionado: Livro-caixa do cartório: o que é e como preencher.
Guia relacionado: Livro-caixa do cartório: o que é e como preencher.